20 de maio de 2026

Sumário

Nos primeiros quatro meses de 2026, Portugal registou 765 processos de insolvência, face a 720 no período homólogo de 2025, o que representa um aumento acumulado de 6,3%.

 

A economia portuguesa continua a evidenciar resiliência e capacidade de adaptação. Ainda assim, a evolução recente recomenda uma leitura atenta: depois de um início de ano relativamente equilibrado, março e abril registaram crescimentos homólogos de 22,2% e 21,0%, respetivamente, sinalizando um contexto empresarial mais exigente.

Este comportamento não traduz uma fragilidade generalizada da economia nacional e deve ser interpretado como um sinal de que, num ambiente ainda marcado por custos elevados, maior exigência financeira, pressão sobre margens e incerteza internacional, a solidez financeira e a capacidade de adaptação continuam a ser fatores decisivos.

Por dimensão, as insolvências permanecem concentradas nas microempresas, que representam cerca de 64,3% do total registado, refletindo a estrutura do tecido empresarial português e a maior exposição das empresas de menor dimensão a desafios de liquidez e volatilidade de mercado.

Em termos setoriais, Serviços e Construção continuam a assumir maior expressão no total de insolvências, com aumentos de 20% e 23,9% respetivamente, enquanto o Retalho mantém relevância, embora com uma evolução mais favorável face ao período homólogo (-11,7%). Outros setores como Agrifood (-5,3%) e Transportes (-2,1%) evidenciaram uma evolução positiva, e o Têxtil apresentou uma trajetória relativamente controlada (+2,2%).

Na leitura regional, Porto e Lisboa continuam a concentrar o maior número de insolvências, em linha com o seu peso económico no país. Ainda assim, a evolução territorial foi diferenciada, com o Porto a apresentar uma redução face ao período homólogo, com -9,9%, e Lisboa a registar uma subida moderada (+4,1%) e distritos como Braga (+32,2%), Setúbal (+50%) e Leiria (+17,9%) a justificar acompanhamento próximo.

O atual cenário macroeconómico permanece desafiante, face ao bloqueio que persiste no Estreito de Ormuz, e que pode levar a significativos efeitos colaterais, com perturbações prolongadas do abastecimento global de petróleo e gás, bem como com a escassez de outras matérias‑primas. Os efeitos desta situação, com a consequente pressão inflacionista, quebra de confiança e inferior crescimento, poderão potenciar o incremento do número de insolvências registadas.

Em síntese, o acumulado até abril de 2026 confirma uma economia portuguesa resiliente, mas inserida num enquadramento empresarial mais desafiante. O aumento acumulado de 6,3% permanece moderado, mas a aceleração observada nos últimos dois meses reforça a importância de acompanhar de perto os sinais do mercado.

Na Allianz Trade, acreditamos que a informação ganha valor quando é interpretada com rigor, proximidade e capacidade de antecipação. Mais do que analisar números, importa compreender tendências, identificar pressões emergentes e apoiar decisões mais seguras num contexto económico em permanente evolução.

Image: People discussing on a coach

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